No dinâmico cenário das fintechs e da economia digital, o Fintech Talks se consolidou como um palco essencial para discussões sobre inovação financeira. Recentemente, o programa recebeu Mafalda Barros, Cofundadora e COO da Quansa, para um diálogo aprofundado sobre o Pagamento Sob Demanda e a Remuneração 2.0. A participação de Mafalda iluminou a relevância crescente dessas soluções, e mostrou a Quansa como uma força disruptiva na gestão de capital humano e eficiência operacional para empresas de diversos segmentos.
Com uma trajetória notável que inclui formação em Economia pela FEP, MBA pela Stanford Graduate School of Business e experiência em consultoria estratégica na McKinsey, Mafalda Barros traz uma perspectiva única sobre os desafios enfrentados por gestores e departamentos de RH e Finanças em empresas de grande porte. Sua visão é clara: a remuneração, antes vista como um custo, deve ser reconhecida como uma alavanca estratégica para a competitividade e o desempenho organizacional.
A dor da liquidez e o paradoxo do crédito no Brasil
Um dos pontos centrais abordados por Mafalda foi a necessidade premente de liquidez para os trabalhadores de linha de frente, os chamados frontline workers. Em um país como o Brasil, onde o custo do crédito para o indivíduo pode atingir patamares exorbitantes (chegando a 400% em alguns casos), a falta de acesso a pequenas quantias em momentos de imprevisto força muitos a recorrer a empréstimos caros, perpetuando um ciclo de endividamento.
Mafalda Barros, com sua expertise em economia, destaca um paradoxo de mercado: enquanto o custo do crédito para o trabalhador é altíssimo, o custo de capital para a empresa que paga salários apenas no final do mês é próximo de zero. Essa ineficiência, onde o salário do colaborador funciona como working capital para a empresa, é precisamente o que a Quansa se propõe a resolver, oferecendo uma solução que beneficia ambas as partes.
A evolução do Pagamento Sob Demanda: da ideia ao produto Quansa
O conceito de Earned Wage Access (EWA), ou Pagamento Sob Demanda, não é novo, tendo surgido nos Estados Unidos por volta de 2015. No entanto, a Quansa foi além da simples antecipação salarial. Mafalda explica que, embora a ideia original fosse idealista e focada no colaborador, o mercado brasileiro exigiu um aprofundamento e uma adaptação significativa.
A Quansa transformou o EWA em uma infraestrutura automatizada para empresas, que se conecta com todo o sistema de gestão. Isso permite que a remuneração seja atrelada à performance em tempo real, um diferencial crucial para o contexto de grandes corporações que buscam otimizar seus processos de RH estratégico e eficiência operacional.
Impacto tangível: produtividade, engajamento e cultura organizacional
Os resultados da implementação da solução Quansa são expressivos e tangíveis, impactando diretamente a produtividade, o engajamento de talentos e a cultura organizacional. Mafalda compartilha dados impressionantes: redução de até 50% nas faltas, 37% nos atestados médicos e entre 30% e 50% no turnover. Esses números, validados em diversas indústrias como foodservice e facilities no Brasil e no Chile, demonstram o poder da Remuneração 2.0 como um diferencial competitivo.
Um exemplo notável é o caso de um grande franqueado do McDonald's, que conseguiu reduzir em 50% as faltas e atestados médicos de seus colaboradores. A solução da Quansa permite que a empresa defina regras de negócio customizáveis para o acesso ao benefício, moldando comportamentos e incentivando a assiduidade. A psicologia da recompensa imediata, onde o feedback positivo (o saldo crescendo no aplicativo) é dado no momento certo, é fundamental para a construção de hábitos e o engajamento dos frontline workers.
Outro case de sucesso mencionado é o da rede de empanadas La Guapa, cliente da Quansa desde 2021. O proprietário, Benny, relata uma redução significativa no uso de crédito trabalhador por seus colaboradores, atribuindo isso ao acesso ao sistema da Quansa. Isso demonstra como a solução atua como uma linha de proteção financeira, evitando que os trabalhadores recorram a empréstimos caros para cobrir despesas inesperadas.
Quansa como solução estratégica para enterprises
Para grandes corporações, a Quansa oferece uma solução altamente customizável, capaz de atender às complexas necessidades de milhares de colaboradores. A integração com os sistemas de gestão existentes e a automação dos processos de RH são pilares que garantem a eficiência operacional e o compliance trabalhista.
A Quansa se posiciona como uma infraestrutura que se adiciona ao stack de gestão da empresa, com um tempo de implementação de apenas uma a duas semanas. A partir daí, os colaboradores já podem usufruir dos benefícios, como o recebimento diário de gorjetas no foodservice, algo que antes era um desafio legal e operacional no Brasil.
O suporte ao RH e administrativo é contínuo, com um serviço de customer success próximo e disponível, especialmente para clientes Enterprise. Mafalda ressalta que, embora a solução seja robusta e legalmente embasada, a Quansa entende as preocupações das empresas com riscos trabalhistas e, por isso, oferece transparência e geração de provas e evidências em tempo real.
Tendências e o futuro inevitável da remuneração
Mafalda tem uma convicção clara: o Pagamento Sob Demanda é uma mudança inevitável no mercado de trabalho, especialmente para setores com alta concentração de frontline workers, como foodservice, varejo, facilities, saúde, entre outros. A competição com a Gig Economy e a necessidade de atrair e reter talentos impulsionam essa transformação. A Quansa, segundo ela, está na vanguarda desse movimento, e a expectativa é que, em cinco anos, a maioria das empresas desses setores adote modelos de remuneração semelhantes.
Essa tendência já é uma realidade em mercados mais maduros, como o dos Estados Unidos. Grandes empregadores como Amazon e Walmart já oferecem pagamento no mesmo dia (any day pay) para seus colaboradores, utilizando tecnologia própria ou adquirida. Para Mafalda, isso é um indicativo claro do futuro que aguarda o mercado brasileiro e latino-americano.
Superando objeções e construindo confiança
Uma das objeções mais comuns que a Quansa enfrenta é a desconfiança em relação à simplicidade da solução. "É simples assim?", perguntam os gestores. Mafalda brinca que, às vezes, a equipe pensa em criar slides que façam a solução parecer mais complicada para tranquilizar os clientes. Para superar essa barreira, a Quansa oferece o contato de clientes satisfeitos, que atestam a eficácia e a facilidade de implementação do sistema.
Outra preocupação recorrente, especialmente no Brasil, é o compliance trabalhista. A Quansa construiu seu produto em parceria com advogados trabalhistas e já passou por rigorosas auditorias jurídicas de empresas de capital aberto. A plataforma gera todas as evidências e documentos necessários para garantir a segurança jurídica da operação, tratando o assunto com a máxima transparência e cuidado.
Diferenciais no mercado latino-americano
Ao comparar os mercados brasileiro e chileno, Mafalda destaca a sofisticação e a competitividade do Brasil. A complexidade legislativa, o dinamismo da economia e a forte presença da Gig Economy tornam o mercado brasileiro mais desafiador e, ao mesmo tempo, mais receptivo a soluções inovadoras como a da Quansa. O mercado chileno, por sua vez, é mais simples e menos competitivo, com uma dinâmica diferente.
A estratégia de internacionalização da Quansa passa por acompanhar seus clientes Enterprise em sua expansão global. Ao fechar contratos com grandes corporações que atuam em vários países, a Quansa planeja abrir novos mercados na América Latina de forma orgânica e sustentável.
A Quansa como parceira estratégica para o futuro da remuneração
A participação de Mafalda Barros no Fintech Talks reforça o posicionamento da Quansa não apenas como uma provedora de tecnologia, mas como uma parceira estratégica para grandes corporações que buscam se adaptar ao futuro do trabalho. A Remuneração 2.0 é mais do que um benefício; é uma ferramenta poderosa para impulsionar a eficiência operacional, fortalecer a cultura organizacional e vencer a guerra por talentos.
Como Mafalda conclui, "para quem nos estiver a ouvir e for uma empresa onde frontline workers são uma grande parte da operação, falem com a gente. Podemos realmente ter um impacto tremendo na competitividade das vossas operações". A mensagem é clara: a revolução da remuneração já começou, e a Quansa está liderando o caminho.
